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História de Fotógrafo: Um episódio triste

Nesta “História de Fotógrafo”, o biólogo e mergulhador Rodrigo Lopes conta uma experiência emocionante, que nos faz pensar sobre a nossa relação com os outros seres vivos da natureza. Confira:

“Dia desses, eu estava fazendo uma sessão de fotos em um lugar nada comum para mergulho. Resolvi mergulhar ali por ser um local degradado, onde não se imaginava abrigar seres tão magníficos.

Eu fiquei encantado e surpreso ao ver as formas de vida que ali habitavam. Este local possui despejo doméstico direto, peixarias ao redor que jogam os restos de pescado na água, fazendo com que essa água repleta de vida se torne um esgoto a céu aberto. Mesmo assim eu decidi mergulhar ali, sabendo que estaria arriscando minha própria saúde, eu decidi me aventurar nessa água.

No fundo, restos de peixes, pneus, garrafas, latas e todas as formas de lixo que o "ser humano” pode jogar no meio ambiente. Na medida em que eu observava, encontrava seres marinhos curiosos em formas, cores e beleza. Em meio ao lixo, eu fui fotografando um a um, mesmo me vendo em um lugar imundo, cada fotografia me fazia querer estar ali por mais tempo e registrar aquelas formas de vida.

Em um momento, no meio do lixo, eu avistei um peixe que possui as formas de uma serpente, o Miriquitis, parente próximo da famosa moréia. Ele estava imóvel, olhando o ser estranho que estava a sua frente. Comecei a fotografar o Miriquitis de longe e aos poucos fui me aproximando e, achei estranho aquele olhar, totalmente imóvel, também estranhei tanto lixo ao redor do belo animal. Depois de muitas fotografias, deixei o ser marinho quieto, sem luzes do flash a sua frente e continuei a fotografar outras formas de vida até acabar a minha permanência no mundo subaquático.

Já em minha casa, depois de lavar todo meu equipamento, retirei minha câmera fotográfica da caixa estanque para descarregar os arquivos no laptop. Após isso, comecei a olhar as fotografias, uma por uma e, quando chegou às fotografias do Miriquitis, reparei algo estranho ao redor de sua cabeça. Não era algo que fazia parte do animal, mas sim um fio de nylon que apertava sua cabeça.

Os olhos quase cobertos pela própria pele que foi comprimida pelo fio de nylon, uma imagem horrível, chocante. Imediatamente meus olhos se encheram de lágrimas, não só por ver o sofrimento do animal, mas sim por não perceber aquilo enquanto eu fazia as fotografias, por não ter ajudado, por não ter salvado essa magnífica forma de vida.

No fundo das águas, ele era mais um animal no meio de um monte de lixo, realmente não tinha como perceber que havia algo preso em sua cabeça. Mas nesta fotografia, eu vi o sofrimento e o pedido de ajuda que esse animal transmitia pelo olhar estático.

Isso foi um acontecimento muito triste em minha vida, me senti culpado por não ter ajudado esse ser vivo, não por maldade, mas sim por não conseguir identificar que algum componente daquele lixo todo, estava o matando aos poucos.

Eu peço perdão a este ser vivo, por não perceber, por não ter reconhecido o olhar que tanto me pedia ajuda.”

Fotógrafo: Rodrigo Lopes (http://www.rodrigolopesuw.com/)

Para participar da seção “História de Fotógrafo”, entre em contato com Instituto Últimos Refúgios pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

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